Cigré Brasil
Associados
Comitês de Estudos
Eventos

Documentos
Revista Eletroevolução
Newsletters
Notícias
Links
Vídeo Institucional
Fale Conosco
Mapa do Site


Como se logar?

21 de janeiro de 2018
Balanço e Projeção do Novo Ano - Entrevista com Josia Matos de Araujo, diretor-presidente do CIGRÉ-Brasil

Com a imagem da criança que se projeta e é, ao mesmo tempo, projeto, o CIGRÉ-Brasil registra o seu desejo de que, nesse ano novo, sejamos capazes de tecer junto aos parceiros e parceiras de jornada - estudantes, professores(as), profissionais das diferentes especialidades, empresas e universidades - importantes projetos para o desenvolvimento comprometido com a qualidade de vida da população e com a sustentabilidade do setor elétrico brasileiro.

2017 foi um ano especial para o CIGRÉ-Brasil. A despeito das mudanças e incertezas do cenário atual do país e, especificamente, do setor elétrico, o Comitê Brasileiro se propor a "pensar diferente" e aproveitar o momento para estabelecer novas parcerias, dar início a novos projetos e espaços de debates, aprimorar os canais de comunicação com seus associados e associadas e com os(as) profissionais que atuam no setor elétrico brasileiro de forma geral.

Assim, foram produzidos 20 eventos de formação e debate técnico (7 a mais do que no ano passado), entre os quais mais uma bem sucedida edição do SNPTEE. Entre as novas parcerias, deu-se início a aproximação com a ANPEI - Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras -, além da implantação do Fundo Universitário em um primeiro projeto junto a Unilassale, seguido da articulação com a USP para a sua próxima edição. Internamente, os Fóruns dos Jovens e das Mulheres estabeleceram novos espaços de debate, enquanto a dinamização das newsletters, das redes sociais e a estruturação de novos sites para cada evento e Comitê de Estudos, deram início a um processo de aprimoramento da comunicação do CIGRÉ-Brasil com seus diferentes públicos.

A frente da diretoria que tem encaminhado essas ações, Josias Matos de Araujo conta-nos um pouco da sua trajetória até a presidência do CIGRÉ-Brasil, além de comentar a atuação da instituição nos fóruns internacionais do CIGRÉ. Nesta, entrevista, ainda, comenta o recente debate proposto em torno das redes inteligentes no Seminário Internacional de Smart Grids, do qual foi um dos principais articulares.

Professor e engenheiro, nos últimos anos, Josias Matos de Araujo foi, sobretudo, gestor ocupando os cargos de Superintendente na Eletronorte, Coordenador Nacional de Transmissão no Bracier/CIER, Secretário de Energia do MME, Diretor Presidente da Eletronorte, Diretor de Regulação da Eletrobrás, Presidente dos Conselhos de Administração da Eletrosul, Eletronuclear e diretor-presidente do CIGRÉ-Brasil.

Poderia destacar fatos que lhe foram mais marcantes em sua trajetória no setor elétrico?

Muitos fatos têm sido marcantes, desde que assumi cargos na gestão pública. Eu destacaria a oportunidade que tive, como secretário de Energia do MME, de conduzir um dos maiores programas de inclusão social que foi o Luz para Todos, tanto pelo seu alcance como pela melhora efetiva da qualidade de vida das comunidades mais pobres que passaram a ter, inclusive, possibilidade de acesso ao conhecimento, pelo rádio, pela televisão, pela internet.

Outro fato marcante foi a criação do Café e Bate Papo com o Presidente, quando estive a frente da Eletrobras Eletronorte, uma forma descontraída e efetiva de aproximação com a equipe de trabalho no sentido de pensar de forma integrada em soluções e melhorias para a empresa. Ali também, tivemos a chance de implementar uma operadora de saúde que beneficiava tanto o ativo quanto as pessoas que se aposentavam. Entendo que foram ações importantes porque constituíram formas de olhar para o presente, procurando deixar legados e construindo pontes para o futuro.

Estamos exatamente na metade da sua gestão na diretoria do CIGRÉ-Brasil. Na sua avaliação, que conquistas podem ser destacadas e que desafios devem ser priorizados nos próximos dois anos da instituição?

Eu gostaria de destacar inicialmente a nossa contribuição à Consulta Pública CP 33 do MME. No meu ponto de vista, essa foi uma ação pioneira no CIGRÉ-Brasil em que os coordenadores dos Comitês de Estudo levantaram questões importantes para a reestruturação do setor elétrico nacional.

Um outro aspecto que eu poderia levantar é a busca do CIGRÉ-Brasil em se reinventar diante tanto da crise do setor elétrico como do país. Para isso, tomamos uma série de iniciativas para nos aproximarmos dos sócios, como por exemplo, criar uma newsletter e remodelar o nosso site (que em breve estará no ar). Também procuramos intensificar os encontros da diretoria e com a equipe da sede. Tudo isso tem sido importante para que o CIGRÉ continue a crescer e tenha sustentabilidade por muitos anos. Em 2016, fizemos 45 anos de existência e a nossa meta é chegar aos 100 anos com saúde financeira e saúde técnica, criando um ambiente em que todos se sintam felizes, porque a felicidade é isso, você ter um ambiente em que as pessoas trabalhem com paixão e com amor. Acho que assim a gente está contribuindo para o desenvolvimento do setor elétrico brasileiro.

O CIGRÉ-Brasil ocupa uma cadeira do Conselho de Administração do CIGRÉ Internacional, além do Comitê Diretivo. Qual a importância de estarmos representados nessas instâncias da instituição? O senhor poderia destacar algumas das questões que têm sido debatidas nesses espaços?

O CIGRÉ-Brasil participa do Comitê Diretivo do CIGRÉ Internacional desde a sua criação em 1972, porque é, desde então, um dos maiores Comitês Nacionais. Tanto no Comitê Diretivo quanto no Conselho de Administração nós temos a oportunidade de participar de grandes discussões com as quais também contribuímos. Uma das questões que tem sido foco do CIGRÉ Internacional, hoje, é a execução do seu Planejamento Estratégico em que se estabeleceu um programa de marketing e comunicação. Isso porque há um entendimento de que o CIGRÉ precisa se reinventar para atrair novos sócios, para ganhar espaço e para ter uma presença marcante no cenário mundial.

Tanto o Comitê Diretivo quanto o Conselho de Administração procuram fazer suas reuniões nos diferentes países membros do CIGRÉ. Durante a nossa gestão tivemos uma reunião do Comitê Diretivo na Cidade do Cabo, uma em Paris e outra na Irlanda. Já o Conselho de Administração se reúne uma vez por ano, então, tivemos uma reunião na França, em Paris e outra em Auckland, Nova Zelândia. Uma grande notícia que posso dar é que em 2018 a reunião do Comitê Diretivo será no Brasil e, em 2019 o Conselho de Administração também acontecerá no Brasil. Uma oportunidade de mostrarmos toda a força do Comitê Nacional para os demais países. Esses encontros são importantes para que você tome conhecimento de fatos relevantes que estão acontecendo em outros Comitês Nacionais.

FOTO: Natasha de Decco (Gerente de Comunicação e Eventos do CIGRÉ-Brasil), Ricardo Tenório (Coordenador do CE B4 - Elos de Corrente Contínua e Eletrônica de Potência) com Josias Matos de Araujo.

O CIGRÉ-Brasil acaba de realizar o segundo Seminário sobre Smart Grids para debater as tecnologias disponíveis, suas políticas, formas de incentivo e regulação, no setor elétrico e o senhor foi um dos importantes articuladores desse evento. Como se deu sua aproximação com a temática das Redes Inteligentes?

Quando assumi a posição de Secretário de Energia Elétrica do Brasil uma das preocupações era a inovação. Internacionalmente já havia um movimento de pesquisa e adoção das redes inteligentes, então, o Ministério de Minas e Energia criou, através da portaria 440 de 20 de julho de 2012, um núcleo de trabalho para o levantamento do estado da arte e para o trabalho sobre as políticas públicas e sobre o financiamento. Ali nasceu a oportunidade de me envolver com esse tema que exige a integração maior de todas as entidades do setor elétrico: geração, transmissão, distribuição e envolve uma série de especialistas. Essa é a grande chance que nós temos de contribuir para a inovação e o CIGRÉ-Brasil não poderia ficar fora disso, daí a ideia de criar um evento que tratasse do tema. O primeiro foi realizado em 2015 e o segundo, de âmbito internacional, no começo de dezembro deste ano, ambos aqui no Rio de Janeiro. Nesse evento abordamos as questões políticas, de incentivos, as tecnológicas e aquelas voltadas à regulação. Entendemos que nós temos que continuar para que o Brasil possa entrar nesse segmento com conhecimento. Praticamente todos os dezesseis Comitês de Estudo do CIGRÉ-Brasil têm algo relativo ao tema. Não poderíamos ficar de fora desse processo. Nossa previsão é de que em 2019 realizemos o terceiro seminário sobre Smart Grids, também internacional, para seguirmos nessa caminhada para o futuro.

Na sua percepção que questões foram retomadas em relação ao primeiro Seminário? E quanto as problemáticas ou perspectivas para o desenvolvimento das Redes Inteligentes no Brasil?

Eu diria que a grande surpresa do evento foi a questão jurídica. Um dos trabalhos abordou os aspectos do direito a privacidade com relação aos impactos da implantação de redes inteligentes. Até que ponto o usuário vai permitir a coleta e o uso das informações coletadas pelos medidores inteligentes?

Uma outra questão que foi abordada, foi a do prazo de distribuição dos medidores inteligentes versus a velocidade do avanço tecnológico, o que pode fazer com que aquela tecnologia instalada seja obsoleta. Questões que têm que ser observadas e avaliadas ao longo de um programa. 

Outra questão que me pareceu fundamental foi a abordada pelo engenheiro Eduardo Nery (que também foi presidente do CIGRÉ-Brasil) que diz respeito a questão da resiliência aos grandes desastres naturais. Essa é uma questão fundamental porque hoje se fala muito em cidade inteligente e eu sempre me pergunto o que é uma cidade inteligente sem a participação ativa das pessoas? Porque o centro nervoso, a coisa mais importante de uma cidade são as pessoas. Você constrói um edifício inteligente, controles de rua inteligentes, mas e as pessoas? Como é que elas estão nesse contexto? Como é que elas estão sendo pensadas? Se você transforma prédios residenciais de três quatro andares em torres inteligentes de sessenta andares, mas não tornou a via mais larga, não aumentou o número de vagas para carros, não pensou em escolas, hospitais, você aumenta a densidade, aumenta o número de pessoas, mas não pensa na qualidade de vida daquelas pessoas. Isso é uma coisa importante de ser pensada, qual o impacto da cidade inteligente na vida das pessoas? Elas vão ser menos estressadas? A cidade será inteligente ou será burra do ponto de vista social?

Essa é uma questão muito importante que tem que ser levada em conta. Quando Eduardo Nery fala em resiliência, ele traz à tona a preocupação com os traumas, as adversidades, os estresses em relação às pessoas. É preciso que a gente olhe o cidadão, como o elemento mais importante dentro da cidade inteligente. Mais do que cidade inteligente, estamos falando de cidade consciente, aquela que concilia facilidades tecnológicas com qualidade de vida.

FOTO: Marcello Rezende (presidente da RioLuz da Prefeitura Rio de Janeiro), Josias Matos de Araujo e Luis Claudio da Silva Frade (presidente do Conselho Fiscal do CIGRÉ-Brasil e coordenador do Seminário Internacional de Smart Grids)

 

 



CIGRÉ-Brasil
5/1/2018