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24 de março de 2019
Fórum das Mulheres do CIGRE-Brasil entrevista Nádia Helena, coordenadora do Comitê de Estudos B1 de Cabos Isolados

Realizada em Março de 2018, a entrevista com Nádia Helena Gama Ribeiro de Louredo revela um pouco da trajetória dessa mulher que, como poucas da sua geração, conseguiu unir a vida de mãe e de dona de casa com a carreira de Engenheira Eletricista e a militância neste fórum de conhecimento que tem sido o CIGRE. Uma das 4 coordenadoras de Comitê de Estudo do CIGRE-Brasil, em um total de 16 Comitês, Nádia conheceu a instituição, nos anos 80 quando, trabalhando na Eletropaulo, era às vezes "premiada" com os "xerox" de artigos técnicos publicados pelo CIGRE.

Você faz parte do time de 3 mulheres a ocupar o cargo de coordenação de um dos 16 Comitês de Estudo do CIGRÉ-Brasil. Como foi o seu processo de aproximação ao CIGRE-Brasil e o exercício de coordenação do Comitê de Estudos B1 de Cabos Isolados?

Foi por volta de 1983 que, não somente eu, mas também Eduardo Karabolad, o atual secretário do Comitê B1,  tomei conhecimento da existência do CIGRE, por meio do Gerente do Departamento de Projetos de Linhas de Transmissão da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo que, na época, era o representante oficial  no Comitê B1. 

Lembro-me de que constantemente éramos “premiados” com os artigos técnicos apresentados em cópias xerox (!!!). Hoje, quando me vejo frente a biblioteca virtual do CIGRE – o e-CIGRE – nem acredito como o tempo passou e com que facilidade temos acesso a esse  verdadeiro “tesouro” de referências bibliográficas nos temas mais diversos ligados aos Sistemas Elétricos de Potência.

Depois de me aposentar, tornei-me consultora da EDS Engenharia e Consultoria LTDA  e, como tal, fui convidada, junto com o colega secretário do CE B1, a participar das atividades do Comitê. Então, em 2007, tornei-me membro individual do CIGRE-Brasil e coordenadora do B, em 2015. Desde então, devo ser sincera em dizer, estou me familiarizando com o contexto, as regras e todo o “modo de atuar” diante das tantas atividades e solicitações que são apresentadas aos Coordenadores.  

Há um processo claro de chegada das mulheres nas Engenharias. As turmas ainda são majoritariamente masculinas, mas há cada vez mais mulheres ocupando as salas das escolas politécnicas. Você foi uma vanguarda nesse sentido. Pode nos contar um pouco do seu processo de escolha pela Engenharia, assim como nos falar dos caminhos que trilhou na sua formação? 

Bem, meu pai era Engenheiro Eletricista graduado na primeira Faculdade de Engenharia Elétrica fundada no Brasil – o Instituto Eletrotécnico de Itajubá – MG.  Além disso, outros dois membros muito chegados da família também tinham a formação em Engenharia Elétrica. Como filha única fui “meio que naturalmente dirigida” à profissão pela qual fui me interessando de forma muito suave. Isso porque meu pai conversava muito comigo sobre suas atividades, sobre o seu “dia a dia”. Ele era um grande profissional com um conhecimento fantástico de física e matemática, o que sempre invejei e considero que jamais chegarei a ter o conhecimento que ele tinha!

Quanto ao convívio universitário, de fato, fui a única mulher em uma turma de 50!! Isso em 1972. No último ano do meu curso na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, fui estagiária do Departamento de Projetos de Linhas de Transmissão da LIGHT SE S/A. Já lá se vão 42 anos!!!

E quanto à experiência profissional? Como apareceram as oportunidades nessa área? Acredita que o fato de ser mulher afetou de alguma maneira a sua carreira?

Sempre digo que foi um presente de minha filha! No ano em que ela nasceu, 1983, ao retornar de minha licença maternidade, fui convidada a ingressar no Grupo de Projetos de Linhas de Transmissão Subterrâneas da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S/A  e, desde então, sinto-me extremamente grata à vida, pois só tenho bons tempos a recordar, tudo foi muito, mas muito bom mesmo, os colegas, as atividades e o aprendizado que continua até hoje, é claro! 

O fato de ser mulher? Bem, aconteceram alguns poucos  percalços... um deles, logo no início da carreira, quando minha gerência direta, não aprovava muito que mulheres fossem “a campo”. De todo jeito, passado algum tempo, consegui a carteira que me autorizava a dirigir os carros da companhia para acompanhar as obras. Hoje, tudo isso parece tão distante e inacreditável! Mas passou e, nota importante, aquele gerente é, hoje, um grande amigo! 

Da perspectiva do seu campo de estudo e trabalho, qual a sua percepção dos caminhos que o  Setor Elétrico Brasileiro tem traçado? 

Atualmente, as perspectivas são as melhores para todos os membros do Comitê de Estudos B1, isso porque vem crescendo sensivelmente a aplicação de Linhas de Transmissão Subterrâneas no Brasil. Essa tecnologia até há alguns poucos anos atrás estava restrita a determinados centros – principalmente São Paulo e Rio de Janeiro – e em níveis de tensão na faixa de 69 a 138 kV.

Há a previsão de mais de uma centena de quilômetros de Linhas de Transmissão Subterrâneas em tensões iguais ou superiores a 230 kV, a serem integradas ao Sistema Interligado Nacional. Tal fato abre um leque muito vasto que vai desde mais pessoas interessadas em tomar conhecimento destes sistemas, mais especialistas para esse campo de estudo e  trabalho, como também, um incremento da estrutura ligada a estes sistemas: laboratórios, equipamentos, obras civis, instalação, etc.

 



CIGRE-Brasil
15/3/2019