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19 de junho de 2019
Patrícia Teixeira Leite Asano: entre a Pesquisa, o Ensino e a Extensão voltados ao Setor Elétrico Brasileiro

Uma das novas integrantes da Comissão Organizadora do Fórum das Mulheres do CIGRE-Brasil que acontecerá no dia 13 de novembro e comporá a programação do XXV SNPTEE, em Belo Horizonte-MG, Patrícia Teixeira Leite Asano tem se desdobrado em diferentes frentes de trabalho e pesquisa voltadas ao Setor Elétrico Brasileiro.

A Engenharia Elétrica entrou em sua vida depois da sua surpresa com a grandiosidade da Usina de Itaipu. Desde então, da Universidade Federal do Mato Grosso, onde cursou sua graduação à Universidade Federal do ABC onde atua como Professora e Pesquisadora, desde 2006, passou por muitas e importantes instituições no percurso.

Sua pesquisa de pós-graduação, em 1999, foi desenvolvida na Escola de Engenharia de São Carlos da USP com a temática: Um Algoritmo Genético para o Planejamento de Sistemas Hidroelétricos. Seu doutorado, desenvolvido, também, no Canadá, na University of Guelph levou ao estudo sobre a Aplicação de Inteligência Artificial no Planejamento da Operação de Sistemas Hidrotérmicos de Potência, em 2003. De 2004 a 2006, Patrícia ingressa na indústria no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento - LACTEC e, desde então, vem exercendo a função de professora na UFABC. Entre 2011 e 2014, atuou como pesquisadora voluntária na Universidade del País Vasco e, em 2017, na Univesidade de Castilla, en La Mancha.

O que terá levado a uma jovem mineira que morava em Mato Grosso a escolher a carreira de Engenharia Elétrica?

A minha história com a Engenharia Elétrica começou quando ingressei no curso técnico em Eletrotécnica pela Escola Técnica Federal de Mato Grosso e fiz uma visita técnica à Usina Hidroelétrica de Itaipu Binacional. Fiquei impressionada com a magnitude da usina e, ali, tive contato com a profissão e especialistas que me motivaram a seguir o caminho da energia.

Em seguida tive a felicidade de ingressar na Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, onde concluí nos cinco anos subsequentes o curso de Engenharia Elétrica.  Ao final da graduação, veio a oportunidade de retornar para um estágio na área de manutenção da Itaipu Binacional, uma experiência que completou o ciclo com chave de ouro. 

Ainda como aluna da UFMT, fui eleita presidente do Centro Acadêmico do curso de Engenharia Elétrica e, posteriormente, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes – DCE. Nessa função atuei no Conselho de Ensino e Pesquisa como representante dos alunos. Essas atividades extracurriculares que me permitiram um importante aprendizado sobre as necessidades da comunidade estudantil e a administração de uma instituição pública de ensino.

Em que as experiências canadense e espanhola colaboraram para a sua percepção sobre o Sistema Elétrico Brasileiro?

Após a graduação, em 1995, mudei-me para São Carlos, no interior de São Paulo, onde desenvolvi minha pós-graduação em Planejamento Energético e Otimização com Técnicas de Inteligência Artificial Bioinspiradas, na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo – USP. Na pós-graduação desenvolvi uma ferramenta inteligente, baseada em técnicas de otimização inspiradas na natureza, como são os algoritmos genéticos, para auxiliar na determinação ótima da operação de sistemas hidrotérmicos de potência de grande porte, característica do sistema brasileiro de geração.

A pesquisa na área de sistema de potência, mais especificamente, em planejamento da operação em comparação a sistemas de outros países (não apenas o canadense ou espanhol) me mostrou que o Sistema Elétrico Brasileiro é único e tem características próprias inerentes a sua dimensão e matriz predominantemente hidroelétrica, o que faz com que seja necessário desenvolver regras e estratégias específicas à sua operação. Condicionada por essas características, minha pesquisa levou ao desenvolvimento de uma ferramenta computacional inteligente que pudesse auxiliar a determinação da operação de usinas hidroelétricas modeladas individualmente e sem as simplificações que muitas vezes são adotadas para resolução de problemas complexos e de grande porte.

Professora da Universidade Federal do ABC, desde 2006, você têm desenvolvido intensas atividades de pesquisa e orientação à iniciação científica, mestrados e doutorados voltados a diferentes linhas. Entre essas linhas de estudo há o Planejamento Energético Estruturado com Suporte de uma Plataforma Computacional de Inteligência Artificial Bioinspirada para o desenvolvimento da ferramenta computacional Energia. Pode nos falar um pouco sobre esta e outras linhas de pesquisa em que tem atuado? 

Ao concluir o doutorado em dezembro de 2003, ingressei na indústria no Instituto de Pesquisa para Desenvolvimento – LACTEC, em Curitiba, onde tive a oportunidade de coordenar projetos de pesquisa e desenvolvimento para empresas de energia na área de distribuição nos estados do Paraná e Piauí, além de integrar equipes de pesquisa em projetos de companhias de São Paulo e do Amazonas.

Em 2006, com a criação da Universidade Federal do ABC (UFABC) iniciei a atividade como professora na primeira turma de 35 professores admitidos por concurso público naquela universidade para o curso de Engenharia. Desde então, venho desenvolvendo a docência no ensino, na pesquisa e na extensão. Nesta época devido a minha afinidade com técnicas bioinspiradas, fui convidada para coordenar o curso de graduação em Bioengenharia. No momento em que este era apenas um nome inovador para um curso de graduação, pioneiro no Brasil, coordenei uma talentosa equipe multidisciplinar, envolvendo professores de várias formações. Juntos, estruturamos, organizamos e preparamos o caminho para a contratação dos primeiros professores dedicados à Bioengenharia. Após dois anos e meio, essa responsabilidade foi transmitida com sucesso para os novos professores desta especialidade que já tinham tomado conhecimento da proposta do curso e continuam desempenhando um excelente trabalho. Desde então, dei continuidade às minhas atividades no curso de Engenharia de Energia.

Em 2007, estruturamos o Curso de Pós-graduação Interdisciplinar em Energia e, com a primeira eleição para coordenação da pós-graduação em Energia, fui eleita vice-coordenadora como reconhecimento pelo trabalho da formatação inicial daquele curso. No período de um ano em que estive envolvida nas atividades de pós-graduação pude vivenciar as dificuldades e desafios da criação e do desenvolvimento de um curso de pós, bem como, do dia-a-dia da pesquisa e relacionamento com docentes e discentes. No decorrer de 2009, ainda do ponto de vista administrativo, fui nomeada vice-diretora do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas.

Depois, houve o período em que estive afastada das atividades administrativas por estar no exterior (2010-2014) e, em 2016, voltei a integrar o conselho do Programa de Pós-graduação em Energia, onde fui nomeada, dois anos depois, a coordenadora do Curso.

Em relação ao ensino, pesquisa e extensão, continuamente ministro aulas na graduação e pós-graduação. Desde 2007, venho orientando alunos de graduação em iniciação cientifica e de pós-graduação, mestrandos e doutorandos, além de ter publicado vários trabalhos com temas e pesquisas realizadas, com alunos e professores de diversas formações, Centros e Instituições. Também venho ofertando cursos de extensão nas áreas de Mercado e Comercialização de Energia Elétrica, Modelagem de Sistemas Hidrotérmicos de Potência e Geração Distribuídas com a Utilização de Sistemas Georreferenciados.

Atualmente, na UFABC, em conjunto com um grupo de pesquisadores locais e outros em sistema de pesquisa em rede, estamos estruturando uma plataforma computacional conhecida como Energ.IA. A plataforma é composta por ferramentas de otimização e suporte a decisão para pesquisa de técnicas de inteligência artificial destinadas a solucionar problemas do setor energético em suas várias vertentes, desde o planejamento da operação e da expansão da geração, passando pela transmissão, distribuição, geração distribuída, previsão de cenários, recursos energéticos renováveis, comercialização, precificação e aspectos comuns que envolvem a sustentabilidade do sistema.

Como engenheira, pesquisadora e professora, como tem percebido a presença feminina no setor elétrico brasileiro? Percebe alguma mudança expressiva na participação das mulheres?

A participação feminina vem aumentando significativamente no Setor Elétrico, hoje em dia há várias mulheres coordenando ou mesmo fazendo parte de equipe de trabalho em projetos e atividades afins deste setor. Também venho percebendo maior participação feminina em eventos e seminários, além da indústria e da academia, em cursos de graduação e pós-graduação, mas ainda é um número pequeno, posso dizer que passamos da não participação para uma participação perceptível, mais ainda reduzida se comparada ao universo masculino.

Acredito que estamos caminhando para uma participação significativa em termos quantitativos, mas creio que em qualidade de trabalho e profissionalismo nossa participação é incontestável e vêm trazendo muitas contribuições para sociedade.

Em 2007, o CIGRE-Brasil a reconheceu com a Menção Honrosa ao seu Informe Técnico intitulado Inovação no Ensino da Engenharia e, em 2019, pelo trabalho intitulado Mapeamento de Potencial Energético por Fonte Solar Fotovoltaica em Municípios. Pode nos falar um pouco destes trabalhos e de como tem sido o seu envolvimento com o CIGRE?

Em 2007, no SNPTEE, compartilhei com o CIGRE as inovações do projeto pedagógico e ensino de engenharia da UFABC, projeto novo que traz em sua essência a formação interdisciplinar do discente, atribuindo a ele a responsabilidade pela construção da sua formação, uma vez que existe uma grade mínima a ser cursada, e sua carga horária deve ser complementada com disciplinas que foquem a sua carreira profissional dentre as oferecidas pela universidade. O trabalho apresentado neste seminário recebeu menção honrosa.

Em evento recente do CIGRE, o XVIII ERIAC 2019, já houve o reconhecimento, fruto direto das inovações apresentadas naquele primeiro informe técnico. No trabalho recém apresentado, expus o resultado de uma Iniciação Científica com envolvimento de alunos de mestrado, professores e a infraestrutura da Engenharia de Energia e Engenharia Ambiental e Urbana. Ali, aplicou-se ferramentas modernas e interdisciplinares, tais como Sistema de Informações Geográficas e Técnicas de Inteligência Artificial, para identificação do potencial energético e modelagem do comportamento dos consumidores diante da inserção sistemas fotovoltaicos. Este informe alcançou o 2º lugar entre os trabalhos apresentados no Comitê de Estudos C5 de Mercados de Eletricidade e Regulação.

Acreditando no potencial de jovens alunos e com objetivo de aproximá-los do CIGRE, constantemente tenho incentivado a sua participação nos eventos, apresentado trabalhos, bem como, que buscando conhecer e se associar ao CIGRE. Uma oportunidade que vai além do acesso às publicações técnicas, mas também a uma rede de colaboração que permite aos jovens conhecerem os engenheiros e suas experiências nos diversos âmbitos de atuação do CIGRE, para que no futuro possam, eles mesmos, contribuir para o desenvolvimento do setor.

A minha história com o CIGRE está atingindo a maioridade em 2019, completando 21 anos de envolvimento. Em 1998, tive meu primeiro artigo aprovado para apresentação no SEPOPE e, desde então, venho participando dos diversos eventos promovidos pela entidade. Também não poderia deixar de mencionar que foi no SNPTEE 2003 que conheci meu querido e amado esposo, Roberto Asano Júnior. Na época, éramos jovens pós-graduandos, eu em São Carlos e ele em Campinas. Hoje, como profissionais, compartilhamos e participamos juntos dos eventos do CIGRE e é com grande alegria que, a cada evento, encontramos com os amigos do CIGRE que fazem parte da nossa história.

 

 

 



CIGRE-Brasil
6/6/2019