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21 de agosto de 2019
A Nova Diretoria do CIGRE-Brasil - Entrevista com Antonio Simões Pires

Antonio Simões Pires tem sido assíduo colaborador do CIGRE nos últimos anos. Entre os trabalhos assumidos como diretor do CIGRE-Brasil nas últimas três gestões estão as funções de diretor financeiro, de  diretor de assuntos corporativos e, nesta gestão que se inicia (2019-2023), novamente a função de diretor financeiro, para além da presença constante nas comissões organizadoras dos grandes eventos.

Engenheiro Eletricista da Eletronorte, nos últimos 40 anos, chegou a atuar como chefe do Gabinete da Presidência, na gestão de Josias Matos de Araujo. Desde 1995 tem procurado conciliar à sua intensa atividade na Eletronorte, o trabalho voluntário no CIGRE-Brasil. Sempre atento às necessidades da coordenação da produção dos novos e maiores eventos do CIGRE-Brasil, Antônio Simões Pires dedicou-se, também, ao aprimoramento da revista EletroEvolução, enquanto presidente do seu Conselho Editorial, assim como dos demais aspectos ligados à comunicação da instituição, em trabalho cuidadoso de articulação e motivação das equipes envolvidas.

Como se deu a sua escolha pela Engenharia Elétrica complementada, anos mais tarde, pela graduação em Processamento de Dados e pelo MBA em Gestão do Conhecimento?

Desde a minha juventude eu tinha muita curiosidade com os fenômenos elétricos. Lembro-me bem que na minha cidade natal, a minha querida Belém do Pará, eu costumava fazer ensaios de eletricidade. Creio que queimei alguns aparelhos de multitester. Também me lembro que fiz alguns cursos de montagem de rádio e televisão. Para mim era o máximo. Divertia-me muito. Minha mãe ficava extremamente preocupada com as minhas loucuras. Nessa época estava decidido então que eu iria ser um engenheiro na opção eletrotécnica ou na opção eletrônica. Não estava ainda decidido qual dos dois ramos da Engenheira seguiria. Em 1969, entrei na Universidade Federal do Pará (UFPA) e tive dois anos para escolher a minha real profissão. Foi, então, que optei por cursar a Engenharia Elétrica, na opção Eletrotécnica, em vez da eletrônica. Para mim foi uma decisão muito acertada e que até hoje tenho uma grande admiração por esse ramo da Engenharia.

Logo após o término da minha graduação, em janeiro de 1974, fui para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) onde cursei o mestrado em Engenharia Elétrica, em junho de 1976. Foi realmente um fato muito importante na minha carreira profissional. Além de cursar o mestrado também fui professor auxiliar de ensino concursado, no Departamento de Engenharia Elétrica da UFSC. Em julho de 1976, retornei a Belém e fui lecionar no departamento de Engenharia Elétrica da UFPA. Lá, permaneci até janeiro de 1979 quando, no dia 29 desse mesmo mês, fui contratado pela Eletronorte, em Brasília. Permaneci na minha querida empresa por 40 anos e 5 meses tendo sido o dia 28 de julho de 2019 o meu último dia de trabalho naquela empresa.

Além do curso de graduação e de mestrado em Engenharia Elétrica, também fiz um curso superior de Processamento de Dados, na Universidade do UniCEUB, em Brasília, iniciado em 1997 e finalizado em 2000. Identifico-me muito com a área de informática e isso me fez cursar uma nova graduação em informática, com os meus 49 anos de idade, numa sala cheia de jovens, sendo que vários deles com idades na faixa de 17 a 20 anos. Foi uma experiência fantástica. Tive que “rebolar” para poder acompanhar a juventude. No entanto, venci o desafio.

Também cursei um MBA, pela UFRJ, em 2004, voltado para a área de Gestão do Conhecimento, o que valeu muito a pena e me abriu outros horizontes.

Como foram os seus 40 anos de Eletronorte?

Como professor na UFPA eu ouvia falar muito da Eletronorte e apesar de ser um professor concursado me sentia muito atraído pela empresa. Fui, então, convidado pelo meu primeiro gerente na empresa, o Dr. Alberto de Oliveira Messias, par trabalhar em Brasília, na área de Análise de Estudos Elétricos. Foi realmente um marco na minha carreia profissional porque estava trocando a vida acadêmica pela vida empresarial. Graças a Deus deu muito certo. Mudei de cidade, onde vivo até hoje, com a minha esposa Bernadete e a minhas duas filhas: Renata, então com 2 anos de idade e Adriana, com 4 meses.

Na época em que fui contratado, a empresa estava em franca expansão. O sistema de transmissão que interligava a região Norte com o Nordeste do país estava sendo construído de Sobradinho até a cidade de Belém do Pará. Eram 1.800 km de Linhas de Transmissão e oito subestações de 500 kV. Também estava em construção a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, com potência inicial de 4000 MW, uma grande usina genuinamente nacional. Todos esses empreendimentos eram uma fábrica de aprendizagem, com a realização de inúmeros estudos elétricos. Tive a felicidade de participar desses estudos e aprender muito. No período de 1980 a 1988, fui gerente da área de Estudos Elétricos da Eletronorte e, no período de 1988 a 1995, assumi a chefia do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da empresa. A mudança da área de Estudos Elétricos para a área de Sistemas Eletrônicos foi um grande desafio que, mais uma vez, consegui vencer com a ajuda dos colegas da empresa.

Quando saí da gerência desse departamento, fui trabalhar no Departamento de Engenharia de Operação do Sistema Elétrico, onde o gerente era o meu amigo de longas datas e o nosso atual conselheiro do CIGRE-Brasil, Dr. Josias Matos de Araujo. Trabalhamos juntos nesse departamento até outubro de 2010, quando Josias assumiu a Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia-MME e fui trabalhar com ele. Ficamos no MME até agosto de 2010, quando retornamos a Eletronorte, Josias como presidente da empresa e eu como chefe do Gabinete da Presidência da Eletronorte, até junho de 2014. Foi uma grande honra e um grande desafio profissional assumir um dos cargos mais importantes da empresa. Quando Josias saiu da presidência da empresa e assumiu a função de diretor de regulação da Eletrobras, novamente, fui convidado para ser o Chefe do Gabinete dessa diretoria o que, prontamente, aceitei. Permaneci na Eletrobras, em Brasília, no período de junho de 2014 até outubro de 2016. quando retornei à Eletronorte para finalizar a minha vida profissional no Departamento de Coordenação Técnica da Diretoria de Operação.

Entre 2008 e 2010 o senhor atuou como chefe de gabinete da Secretaria de Energia Elétrica do MME e, entre 2014 e 2016, atuou como chefe de gabinete da Diretoria de Regulação da Eletrobras. Como avalia essas experiências?

Quando cheguei na SEE-MME, Josias me falou que eu iria ser o novo chefe de Gabinete da Secretaria e me disse que era uma missão. Inicialmente, fiquei preocupado em assumir um posto daquela responsabilidade, em um órgão da Administração Pública direta, no entanto, com a ajuda dos funcionários da Secretaria e com o apoio do secretário consegui vencer mais este desafio na minha vida profissional. Foi uma experiência que me fez evoluir muito. Conheci muitas pessoas, aprendi o rito de um órgão público e aprendi a me relacionar com autoridades, um aprendizado para o resto da vida. Também a convite do Josias iniciei como chefe de gabinete da Diretoria de Regulação. Outra experiência profissional de grande valor profissional, afinal, trabalhava na empresa holding do sistema elétrico estatal do grupo Eletrobras. Minhas passagens pela SEE-MME e pela chefia de Gabinete da Presidência da Eletronorte ajudaram muito para o desempenho das minhas atribuições na Eletrobras.

Com forte atuação no CIGRE, o sr. recebeu o prêmio de Distinguished Member, na Bienal de Paris de 2016 por sua expressiva colaboração com a instituição. Como se deu sua aproximação com a instituição? Na sua perspectiva, qual deve ser a ênfase da Diretoria que acaba de assumir a responsabilidade de gerir e fomentar o CIGRE-Brasil, até 2023?

Minha aproximação com o CIGRE-Brasil se deu por ocasião da minha participação como secretário no SNPTEE realizado em Belém, no ano de 1997, organizado pela Eletronorte. Lembro-me que, naquele evento, apresentei um trabalho juntamente com outros colegas. Em 2004, a convite do Josias, associei-me ao CIGRE-Brasil e desde então tenho me dedicado a essa entidade que considero de um valor inestimável para a produção e a disseminação do conhecimento técnico. Atuei como coordenador da Comissão Técnica do 18º, 19º e 20º SNPTEE, o que foi uma experiência muito boa, uma vez que este é o maior evento técnico do CIGRE-Brasil.

Fui diretor financeiro nas gestões 2010–15, de 2015 a 2019, diretor de assuntos corporativos em assumi a reponsabilidade pela edição da revista EletroEvolução e da Newsletter. Em abril, com a eleição da nova diretoria (2019-23), assumi novamente a gestão financeira da nossa entidade.

Estamos, atualmente, passando por profundas transformações no setor elétrico e na economia brasileira, o que tem afetado, não somente o CIGRE-Brasil, como principalmente, as empresas estatais que muito contribuíram para o desenvolvimento e a manutenção da nossa organização. Daí que um dos principais desafios é a implementação de ações que visem a racionalização dos custos e o aumento de receitas. Nessa direção o Conselho de Administração aprovou um Plano de Ação com medidas que visam a racionalização e o aumento de receitas do CIGRE.

Foi muito importante para mim o reconhecimento que me foi conferido pelo prêmio Distinguished Member, durante a 48a. Sessão Bienal Paris, em 2016, pelos serviços prestados durante os anos de dedicação ao CIGRE-Brasil. O trabalho que tenho desenvolvido ao longo de todos esses anos é fruto do apoio que recebo da diretoria e dos empregados do CIGRE-Brasil, dos quais destaco: Evanise Neves Mesquita, Flávia Serran, Antonio Carlos Barbosa Martins, Claudia Espírito Santo, Natasha de Decco, Verônica Santos, Gabriel Serafim e Leandro Taranto. A todos eles meu muito obrigado.

O senhor coordenou o I Fórum de Mulheres no CIGRE-Brasil ocorrido durante o XXIV SNPTEE. Conte para nós como foi a sua experiência em coordenar e promover uma maior integração e valorização das mulheres no âmbito do CIGRE-Brasil?

Esta para mim foi uma experiência inédita. A diretoria, por meio de seu presidente na ocasião, Josias Matos, propôs e o Conselho aprovou a realização desse Fórum com o objetivo de intensificar a integração entre homens e mulheres na instituição, a partir de um trabalho continuado de fomento e fortalecimento da participação feminina em nossos Comitês de Estudo, eventos e publicações e, por extensão, no âmbito da engenharia e do setor elétrico brasileiro. Após a aprovação do Fórum a diretoria me passou essa missão e eu, juntamente com a ajuda de uma comissão organizadora formada pela Flávia Serran, Carla Damasceno, Adriana Martins, Silvia Helena, Natasha de Decco e o Gabriel Serafim, conseguimos organizar e promover esse I Fórum aproveitando a realização do XXIV SNPTEE, em Curitiba.

O evento conseguiu atingir plenamente os objetivos a que se propunha e tivemos uma interação grande com o público de mais de 150 pessoas constituído de homens e mulheres. Tivemos muitos feedbacks positivos do evento. Foi, aliás muito emocionante o depoimento das duas palestrantes, a Angélica Rocha e a Kátia Cristina que comoveram o público presente com as suas histórias de vida. O evento teve como principal impacto a reflexão da necessidade de uma integração entre homens e mulheres de modo a fortalecer a participação feminina nos diferentes espaços de trabalho, pesquisa e debate do setor elétrico brasileiro. Tenho certeza que o II Fórum previsto para ser realizado durante o XXV SNPTEE, em Belo Horizonte e sob a coordenação de uma mulher, nossa diretora de assuntos corporativos, Carla Damasceno. Tenho certeza de que será um sucesso em seu papel de conscientizar e fortalecer a presença das mulheres nas atividades técnicas do CIGRE-Brasil.

 



CIGRE-Brasil
29/7/2019