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18 de outubro de 2019
Fórum de Jovens - entrevista Douglas Vieira

Formado em Engenharia Elétrica pela UFMG, Douglas Vieira cursou seu Pós-doutorado em computação pelo Imperial College Londondoutorado sanduíche na University of Oxford e graduação em Engenharia Elétrica pela UFMG. Com reconhecimento e prêmios por sua produtividade em pesquisa pelo CNPq, por suas várias publicações científicas. É CEO da Enacom (www.enacom.com.br), onde desenvolve soluções tecnológicas para o setor elétrico.

Você se graduou em Engenharia Elétrica e acabou atuando em sistemas que usam técnicas de data analytics e inteligência artificial, como se deu essa escolha?

Terminei a graduação em Engenharia Elétrica em 2003 e depois entrei para o doutorado. Durante o curso fiz algumas matérias na área, em especial a de lógica nebulosa, o que foi muito inspirador. Na época, era um tema com discussões técnicas efervescentes, desde a análise de pequenos datasets, com técnicas como as Support Vector Machine, grandes datasets (Big Data) com redes neurais e algumas aplicações reais e complexas aparecendo. Resolvi olhar para o que estava sendo feito no mundo e achei que esta parte de inteligência, por não necessitar de grande infraestrutura, logo, por ser menos dependente de financiamentos, seria uma boa opção. Como tinha habilidades matemáticas e gostava de programação achei que seria um campo interessante e com muitas possibilidades futuras. 

Como vê o cenário para uso dessas técnicas no setor elétrico brasileiro? Sabe dizer se há empresas no setor que incorporaram essas tecnologias em seus processos ou em geral essas soluções são exploradas apenas no âmbito de projetos de P&D?

As primeiras soluções que as empresas têm utilizado são soluções já testadas em outros setores, que podem ser consumidas como um serviço já disponibilizado por algumas startups, como chatbots e afins. 

De fato, muitos projetos de P&D estão sendo e foram desenvolvidos com este enfoque. Alguns destes projetos foram incorporados em parte das atividades das empresas, embora ainda não tenham sido consolidados como produtos. Algumas empresas já têm utilizado inteligência em sua estratégia de comercialização no mercado livre, para maior atratividade em leilões e nas manutenções preditivas. É o momento das empresas aumentarem os investimentos em P&D para ter estas soluções.

No SNPTEE será lançado o produto PROGEN (www.optimalenergy.com.br) que utiliza diversas técnicas para a otimização da geração hidrelétrica em tempo real. É um case com as técnicas mais sofisticadas como digital twin, machine learning e otimização multiobjetivo que transforma um P&D em produto. 

Como fundador e CEO da ENACOM desde 2009, além de pesquisador do CEFET-MG, que desafios e oportunidades tem percebido atualmente no Setor Elétrico Brasileiro? Como enxerga o futuro desse setor?

O setor elétrico está em transformação e esta transformação está se acelerando. A modernização é um consenso entre todos os atores do setor, embora todos reconhecem as dificuldades práticas para aplicação das mudanças necessárias como o preço horário, leilão de energia day ahead e intraday, expansão do mercado livre, aumento de eficiência. O mundo está se redirecionando para descentralizar, democratizar e descarbonizar com a digitalização. 

Este é o momento das novas tecnologias substituírem as existentes para habilitar o novo cenário. Um novo profissional será necessário, pois será necessário entender a combinação entre as novas tecnologias e as técnicas tradicionais de engenharia. 

Quando teve conhecimento do CIGRE e suas atividades pela primeira vez e qual a sua expectativa para o II Fórum dos Jovens do CIGRE-BR?

Eu conheço o CIGRE desde a época da graduação. É um nome muito relevante para o setor, que sempre aparece nas mais diversas formas. É um fórum onde os agentes estão abertos à colaboração, com um olhar construtivo do futuro. 

Fico muito feliz em participar do Fórum. Motivar e entender as demandas dos novos profissionais que estão entrando no setor é uma oportunidade única. A nova geração vem para revolucionar um setor em transformação. Será uma época de muitas oportunidades. 



CIGRE-Brasil
3/10/2019