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Como se logar?

25 de janeiro de 2020
Rachel Rodrigues Lobato e as Mulheres na Área de Proteção, Controle e Automação


Pode nos contar um pouco como se deu a sua escolha pelo trabalho no setor elétrico?

Minha escolha pelo trabalho no setor elétrico não foi bem uma escolha, foi algo que aconteceu e mudou meu jeito de ver o segmento. Ao ingressar no curso de Engenharia Elétrica da PUC Minas, em 2015, não imaginava o mundo fascinante que me aguardava. Como de costume dos cursos de engenharia, as matérias costumam ser pouco específicas até o meio do curso e eu já me encontrava empolgada com tudo que aprendia. No primeiro semestre de 2018, quando eu cursava o sétimo período, iniciei meu estágio no setor de obras da gerência de expansão de alta tensão da CEMIG D. Como eu não tinha experiências e só o que conhecia era o que via na universidade, queria apenas uma oportunidade de estagiar para aprender algo na prática. O que eu não sabia era que ficaria tão apaixonada pelo setor elétrico.

A partir deste momento eu já sabia o que queria para meu futuro profissional, atuar no setor elétrico. Os dez meses de estágio superaram todas minhas expectativas em relação ao meu curso e ao mercado de trabalho. Para incentivar ainda mais minha paixão por essa área, começaram as matérias específicas do setor elétrico de potência na PUC Minas. Além de serem matérias incríveis, foram ministradas por professores com uma bagagem imensa, o que fez com que o aprendizado fosse ainda mais rico.

Como tem percebido a presença feminina no setor?

Tenho percebido um aumento significativo da presença feminina no setor. Antes de ingressar na universidade imaginava que o número de mulheres seria quase nulo. Surpreendi-me ao ver um número significativo, levando em consideração que culturalmente a engenharia é considerada uma atividade majoritariamente masculina. Além do quantitativo, o fato dessas mulheres na engenharia se mostrarem ativas foi algo que me incentivou bastante. Ver professoras e alunas atuando e conquistando seu espaço, é motivador.

É um processo lento, mas está progredindo a cada dia mais. Digo isso por experiência própria. Quando decidi cursar Engenharia Elétrica, foi uma surpresa para alguns familiares, por acharem o curso muito masculino para uma menina. Além disso, em muitas entrevistas de emprego que fiz no início do curso, fui questionada se não me incomodaria em trabalhar com uma maioria masculina. Atualmente, tenho percebido uma queda significativa desse tipo de pensamento. Tanto nos familiares que perceberam que não existe rótulo para área de atuação, quanto nas empresas que estão deixando seu preconceito de lado para aproveitar o potencial que mulheres têm para oferecer. Acredito que exista uma longa caminhada pela frente, mas a sociedade já está começando a entender que gênero não defini competência.

Como têm percebido as mudanças recentes do Setor Elétrico Brasileiro?

O mundo está em constante evolução e o cenário do setor elétrico não é diferente. Percebo que essa área tem mudado bastante no sentido do uso dos recursos disponíveis. A forma de geração, por exemplo, já tem mudado de forma drástica. A filosofia de que a geração está longe dos consumidores perdendo a força com o crescimento das gerações distribuídas. Este fato muda todo o cenário do setor e faz com que exista uma necessidade de adaptação. Acredito que este é só um começo, principalmente levando em consideração a preocupação mundial com a sustentabilidade. A evolução está trazendo tecnologias cada vez mais eficientes e limpas para um uso consciente dos recursos disponíveis, e isto impacta diretamente a vida dos profissionais e acadêmicos do setor elétrico.

Quais as suas perspectivas e projetos de atuação profissional?

Pretendo me aperfeiçoar cada vez mais profissionalmente e caminhar junto com a evolução do setor elétrico. Além disso, ao concluir a graduação, não pretendo deixar a área acadêmica, pois tenho certeza que existem muitas inovações que precisam ser estudadas. Atualmente pretendo direcionar meu aprendizado para o ramo de proteção, controle e automação do setor elétrico. No entanto, por se tratar de um setor tão complexo e instigante, todo e qualquer aprendizado será importantíssimo para minha vida profissional e acadêmica.



CIGRE-Brasil
8/11/2019